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Segunda-feira, 6 de Fevereiro |
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Cinco por cento do valor das inscrições no Expresso BPI Golf Cup serão entregues à SIC ESPERANÇA para apoiar os seus projectos sociais.
Os vencedores do Campeonato Nacional de Empresas:
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Superstição: "Crença ou conjunto de crenças estranhas à fé religiosa e contrárias à razão, sem fundamento positivo conhecido, mas suficientemente fortes para determinar um meio de conduto, com abstenções ou acções que têm por fim evitar o nefasto ou assegurar o benéfico", in Grande Dicionário da Língua Portuguesa (Alfa), José Pedro Machado
Quando o exemplo vem de cima, fica provado que a superstição é parte integrante do golfe. Como se os jogadores, mesmo os melhores dos melhores, quisessem precaver-se de acordo com o famoso provérbio espanhol: "Eu não acredito em bruxas, mas que as há, há..." Enfim, a capacidade técnica e mental é que conta, mas nada como ter também uma ajudinha por parte de quaisquer forças ocultas. Nunca fiando.
A mais famosa superstição no golfe pertence - tinha de ser - a Tiger Woods, que veste de vermelho aos domingos. Pode haver quem diga que não, que não é superstição, antes uma questão de uniforme, imagem de marca, jogada de marketing. Mas a verdade é que ao número um mundial move-o um motivo transcendental: a sua mãe tailandesa, Kultida, acredita que o encarnado é uma cor de poder.
Woods diz que não tem (outras) tendências supersticiosas, mas em 2004, fugiu do play-off do ‘Par-3 Contest', o torneio de 9 buracos que antecede o Masters Tournament em Augusta National. Woods fez um hole-in-one no último buraco e, mais tarde, não quis ir a desempate com Padraig Harrington e Eduardo Romero, com a desculpa de que tinha de receber um prémio. Nunca ninguém conquistou o Masters depois de ter vencido o ‘Par-3 Contest', que remonta a 1960.
Os três mais comuns talismãs entre os golfistas são os números na bola, a cor do tee e o marcador para as bolas no green. Bolas com número mais alto do que 4 são normalmente associadas a má sorte, razão por que raramente são encontradas. Neste capítulo, Phil Mickelson é a mais famosa excepção, simplesmente para melhor distinguir a sua bola da dos outros. Retief Goosen usa uma bola com o número 4 na primeira volta e vai descendo - 3, 2, 1 - até à quarta e última. Vijay Singh inverte-lhe a ordem. Ernie Els não joga sequer com bolas numeradas.
Tom Weiskopf usava tees partidos nos par-3. Tees amarelos ou vermelhos estiveram sempre fora de questão para Colin Montgomerie, porque se confundem com as estacas de obstáculos de água e de fora-de-limites. Ernie Els e Davis Love III só jogam com tees brancos, Shigeki Maruyama e Doug Sanders nem vê-los. Sanders atribui-lhes a perda do título no Open Britânico de 1970, em St. Andrews: precisava do par no último buraco para ganhar; como não tinha mais tees no 18, um ‘fellow competitor' deu-lhe um tee branco. Fez bogey e no dia seguinte perdeu no play-off com Jack Nicklaus.
Marcas da sorte
O mesmo Jack Nicklaus, recordista de vitórias no Grand Slam (18), levava sempre três moedas no bolso. Davis Love joga com ‘pennys' de 1965 ou 1966 (quem não gosta de fazer voltas na casa das 60 pancadas?). Paul Azinger evolui sempre com a efígie de Abraham Lincoln a olhar para o buraco. Fred Funk também tem esta mania, mas apenas se sair cara quando atira a moeda ao ar no green (com coroa é-lhe indiferente). John Cook usa moedas de estados onde jogou bem. Tom Lehman vai trocando de moedas enquanto estiver a jogar mal.
A mulher de Arnold Palmer beijava sempre a bola com que o marido ia jogar. Fred Couples jogou bem um par de vezes sem luvas e não as voltou a colocar. Ernie Els impede que certos espectadores o sigam no campo, diz que dão azar. Mais, o grande golfista sul-africano acrescenta que há apenas um birdie em cada bola, dando a entender que as troca sempre que faz um. O grande amador inglês Gary Wostenholme nunca deixa mais de um taco fora do saco de cada vez.
Outras manias, há quem acredite que não se deve testar o destino falando no jogo quando se está a fazer uma boa volta. E há quem acredite que receber elogios enquanto a bola ainda está no ar pode afectar negativamente o desfecho do shot. Uma vez, durante uma volta de preparação para o Masters, em Augusta National, Tommy Aaron disse asperamente para o seu caddie Ricky Reilly: "Mantém a tua boca longe da minha bola."
No entanto, o prémio para o cúmulo da superstição vai para Stewart Cink, o vencedor do British Open 2009, no Ailsa Course de Turnberry, campo que recebeu quatro meses depois a Finalíssima do Expresso BPI Golf Cup. Diz ele que não quer saber de superstições, porque tudo o que fazem é dar-lhe azar.
RODRIGO CORDOEIRO