Cinco por cento do valor das inscrições no Expresso BPI Golf Cup serão entregues à SIC ESPERANÇA para apoiar os seus projectos sociais.
Os vencedores do Campeonato Nacional de Empresas:
Para o responsável executivo da sub-holding que agrega a imprensa escrita do Grupo Impresa, este torneio é uma aposta firme do Expresso.
A Impresa Publishing resultou da aquisição que a Impresa fez da totalidade do capital da Edimpresa, passando assim a editar com o mesmo ‘umbrella' o Expresso, a Visão e a Caras, entre outros títulos. Pouco mais de um ano passado sobre essa operação, como está a decorrer a integração e quais os principais ganhos que daí resultaram?
A Impresa Publishing resultou, de facto, da oportunidade aberta com a aquisição dos 50% detidos pelos nossos sócios suíços da Edipress na Edimpresa. Com a propriedade de 100% de todos os nossos activos de imprensa, à época distribuídos pela Edimpresa mas igualmente pela Sojornal (Expresso), Medipress (Autosport e Blitz) e Publisurf (Surf Portugal), o projecto passou pela consolidação da gestão de todos estes negócios com vista à melhoria da eficiência e rentabilidade respectivas. As transformações fundamentais passaram pela fusão dos vários serviços - nomeadamente, marketing, vendas e serviços de suporte - e uma nova organização das áreas editoriais. No final do primeiro ano de velocidade cruzeiro desta nova organização, podemos concluir que o caminho percorrido ultrapassou os nossos objectivos iniciais, em particular quando se registou uma dramática coincidência - é que o ano de 2009 foi provavelmente um dos mais duros e difíceis de sempre, pelo que não havia forma mais exigente de testar a bondade das nossas ideias. Referindo-me à última informação disponível no mercado, posso sublinhar a circunstância do Grupo ter registado os melhores resultados do 3º trimestre de sempre, para os quais a área de publishing deu um contributo muito relevante.
O Expresso continua a ser a jóia da coroa da imprensa escrita do Grupo e parece imune à concorrência. Como vê este fenómeno?
De facto, ao longo dos anos o Expresso tem feito um caminho único e ímpar a nível internacional - não é vulgar encontrar noutro país uma situação em que o jornal mais influente e historicamente de maior volume de circulação tenha as características do Expresso: um semanário, que tem um posicionamento bastante elevado. Sendo positivo, numa perspectiva é algo que nos cria uma dificuldade - no esforço por fazermos um jornal cada vez melhor e mais apelativo para as nossas audiências e para os nossos anunciantes, a ausência de um concorrente mais imediato implica que a referência principal seja a última edição do jornal que produzimos. Implica uma enorme capacidade de regeneração, o que em determinados momentos admito que possa complicar o processo de melhoria contínua - mas já no início de 2010, o mercado e os nossos leitores terão as melhores razões para reforçar a confiança que têm depositado no nosso projecto, com o anúncio de várias iniciativas que iremos lançar. O que vamos fazer, que por enquanto ainda não gostaria de aprofundar, é exactamente o resultado da necessidade de nos desafiarmos, bem como da permanente atenção com que acompanhamos as melhores práticas internacionais, de quais são as novas motivações e necessidades de quem nos lê e da forma como evoluiu o mercado publicitário. O processo foi progredindo ao longo do 2º semestre e permitirá actuar a vários níveis e nos diferentes cadernos do jornal.
As publicações da Impresa Publishing inserem-se num Grupo que também tem canais de televisão como a SIC e a SIC Notícias, para além de vários sítios na internet. É defensor do jornalismo multi plataforma, em que um repórter enviado a um determinado acontecimento faz uma emissão em directo para a televisão quando chega ao local, envia uma breve para a internet, escreve uma notícia no semanário e acaba com uma grande reportagem na revista, tudo sobre o mesmo assunto?
No Grupo Impresa temos vindo a fazer um caminho sólido, com resultados, em tudo quanto se relaciona com processos de convergência e com a utilização cada vez mais intensiva das diferentes plataformas em que o Grupo dispõe de competências. Especificamente no caso dos nossos projectos de imprensa, todos eles são desafiados para aprofundar a sua influência com a aplicação de uma estratégia que assenta em quatro pilares: publicação em papel, multimédia (seja na Internet, seja progressivamente no mobile), eventos e televisão. É por isso absolutamente natural que uma equipa que se desloque para fazer a cobertura de um determinado evento noticioso, ou para seguir uma pista de investigação de uma matéria editorial, desenhe o seu plano de trabalho em ordem a poder alimentar as diferentes plataformas. Conscientes do potencial que esta abordagem pode representar na criação de valor na produção de conteúdos, o Grupo Impresa tem vindo a aprofundar a coordenação interna entre as várias redacções, nomeadamente, entre equipas da imprensa e da televisão que trabalhando de uma forma articulada conseguem produzir conteúdos de elevadíssima qualidade, permitindo-nos o caminho da diferenciação face aos nossos concorrentes. Neste domínio não precisamos de inventar nada de novo, estando sobretudo concentrados no aprofundamento destas práticas e na desmultiplicação dos muitos casos de sucesso que temos atingido
Qual a posição da Impresa relativamente aos agregadores de notícias, como o Google News?
Por entre a discussão - e o ruído - que entretanto se gerou em torno deste tema, há pelo menos um ponto que actualmente gera algum consenso: não é possível encarar a sustentabilidade do negócio das editoras, nomeadamente as que são especializadas na produção de conteúdos jornalísticos, sem se evoluir do actual modelo de negócio dominante. Já se percebeu que a atracção de publicidade baseada essencialmente na abordagem quantitativa do tráfego gerado pelos sites é manifestamente insuficiente para evitar que o negócio se esteja a aproximar de um beco sem saída. Mesmo para as agregadores de notícias e para os que de alguma forma utilizam a produção alheia para rentabilizar os seus modelos de negócio, a circunstância de toda a indústria estar a evoluir rapidamente para o abismo não pode ser vista sem grande preocupação - se os produtores fecharem esta torneira virtual, encerrando as suas actividades e ou orientando o seu negócio em exclusivo para outras plataformas que não a Internet, também aqueles a prazo estão condenados. O Sr. [Rupert] Murdoch é uma figura muito pouco consensual no mundo dos media, mas com a firmeza das posições que tem vindo a defender teve o mérito de dar ainda maior eco a todos aqueles que desde há bastante tempo vinham dizendo que a situação actual não é sustentável. Neste contexto, não temos dúvidas sobre a nossa posição - queremos ser produtores de conteúdos de qualidade, e queremos que a Internet seja uma das nossas plataformas preferenciais - mas precisamos de ser remunerados adequadamente pela criação de valor gerada pelos nossos projectos. Um caminho nessa direcção passará por criar condições para obrigar quem utiliza esses conteúdos com objectivos económicos por remunerar os respectivos produtores.
Nesta época de grande indefinição no negócio dos Media, especialmente na imprensa escrita, acha que já se vê luz ao fundo do túnel no modelo de negócio a adoptar?
Julgo que nos encontramos numa fase de transição, com as ameaças que essa circunstância representa. Mas é verdadeiramente estimulante poder ajudar a reescrever os modelos de negócio em que o mesmo vai assentar no futuro, e na Impresa queremos estar na fila da frente desse movimento. Acreditamos que estamos numa posição ímpar entre os operadores portugueses dada a gestão estratégica que temos vindo a fazer das plataformas em que operamos, dos processos de convergência que temos vindo a aprofundar, da preparação que temos vindo a fazer das nossas pessoas para os desafios que se estão a travar. Dito isto, estamos muito confiantes que o Grupo Impresa e os nossos projectos continuarão a ser uma referência incontornável no mercado.
Acredita que os jornais em papel vão acabar, passando a funcionar só na internet em versão digital?
Acho que nesta altura não haverá ninguém com honestidade intelectual que se atreva a fazer previsões infalíveis sobre o que vai acontecer ao papel. No Expresso vamos lançar nas próximas semanas uma campanha de informação que vai trazer nova luz sobre a pegada ecológica dos jornais em papel, e como é que se compara nesse domínio com o consumo digital de conteúdos similares - e os resultados vão ser no mínimo surpreendentes para a maioria das pessoas! Aquilo de que estou certo é que enquanto o papel constituir uma plataforma útil para as pessoas, continuará a haver espaço para jornais em papel. Temo-nos habituado a assistir a uma cada vez maior complementaridade entre os vários meios - nomeadamente, entre o papel e as possibilidades ao nível do multimédia - e nessa complementaridade o papel pode continuar a ter um papel muito relevante, aumentando até potencialmente o seu ciclo de vida expectável. Num horizonte mais imediato, de 3-5 anos, os jornais em papel continuarão a ter uma importância incontornável na forma como se consomem conteúdos desta natureza.
O Expresso dá o nome ao maior torneio de golfe que se realiza em Portugal, que vai para a sua 13ª edição em 2010. Como vê a parceria que o jornal tem desenvolvido com a prova ao longo dos anos?
É um projecto que acarinhamos desde a primeira edição. Dado o posicionamento da marca Expresso, estar associado a um torneio de Golfe que atingiu a projecção deste evento - num contexto em que estão envolvidas como participantes pessoas sofisticadas e exigentes - é da maior relevância e diz bem da excelência da organização. Não tenho dúvidas que é uma aposta firme para continuar!
(NDR: Esta entrevista foi anteriormente publicada no caderno Golfe do jornal Expresso, no dia 24 de Dezembro de 2009)