Cinco por cento do valor das inscrições no Expresso BPI Golf Cup serão entregues à SIC ESPERANÇA para apoiar os seus projectos sociais.
A maioria dos mais antigos clubes de golfe de Portugal tiveram origem na comunidade britânica. O Oporto Golf Club, o Lisbon Sports Club, o Clube de Golfe do Santo da Serra, na Madeira... Já o da ilha Terceira, nos Açores, tem a originalidade de ter sido criado pelos norte-americanos estacionados na Base Aérea das Lajes. A sua fundação remonta a 1954, sendo difícil precisar os seus primeiros passos, a começar pelo arquitecto ou o autor do desenho, um perfeito desconhecido.
As mais antigas recordações de Nélson Ramalho, o conhecido comentador de golfe da Sport TV e que é o sócio não-institucional nº1, de 63 anos, levam-no até um campo sem única árvore, um descampado sujeito às intempéries. Hoje, conforme avisa Eduardo Correia, profissional do clube, "o primeiro impacto é ver muitas árvores cerradas".
Nelson Ramalho: "Tenho também a recordação de haver só meia-dúzia de portugueses. A base tinha mais de 10 mil americanos, muitos com as suas famílias. Daí a necessidade que eles sentiram de convidar alguns portugueses. O meu pai foi o primeiro sócio, posição que ainda guardo. Ouvia-se falar do Sam Snead, do Ben Hogan, do Arnold Palmer."
Durante 50 anos, o clube foi orientado pelos seus sócios fundadores - Região Autónoma dos Açores, Força Aérea Portuguesa e Comando Americano. Até que em 2004, fruto de uma alteração estatutária, foi entregue a gestão a uma direcção composta por representantes dos associados fundadores e por representantes dos associados ordinários, assumindo estes a direcção executiva. É agora uma Associação de Utilidade Pública e Sem Fins Lucrativos.
A ausência de um projecto de reestruturação do clube tinha originado um processo de deterioração galopante da suas instalações - desportivas e sociais - diminuindo a qualidade dos serviços prestados e provocando um decréscimo significativo dos seus associados. Mas a remodelação entretanto empreendida pela nova direcção veio dar um segundo fôlego ao clube. Os relvados do campo, que estavam em estado crítico, foram recuperados, incluindo o putting green, a área de treino do jogo curto e o driving range. Além de um enorme restaurante/snack-bar, foi inaugurado o edifício da club-house. Tem 4300m2 e, entre outras valências, uma sala de eventos com capacidade para 500 pessoas, onde se podem realizar congressos, eventos culturais e de índole social; há um ginásio a funcionar cinco dias por semana, balneários totalmente novos e até uma galeria de arte.
A partir de 2010, haverá também uma sala de jogos - ‘slot machines' - que será única em termos de golfe. "Poderá funcionar como um pólo de atracção de pessoas e de movimento, de maneira a criarmos um clube cheio de vida e vendável nacional e internacionalmente", diz Carlos Raulino, presidente do CGIT.
Localizado a 13 quilómetros da capital Angra do Heroísmo (Património Mundial), o campo é um autêntico espaço de paz e beleza natural, com uma paisagem por entre árvores (muitas criptomérias como no campo da Furnas, em São Miguel), montes, pequenos lagos, renques de hortênsias e azáleas ao longo dos fairways. Representa, sem dúvida, uma experiência de golfe inesquecível.
O segredo do campo é arte e sorte no ataque aos greens
Pela terceira vez nos últimos quatro anos, o Clube de Golfe da Ilha Terceira acolhe a Final Nacional do Expresso BPI Golfe. Em relação à última edição ali realizada, em 2007, houve algumas mudanças no campo, mas não em termos estruturais dos buracos. Alguns tees foram recuados, com o comprimento do campo, um par-72 (35-37), a passar de 5789 metros para 6000; e cortaram-se umas árvores, poucas, só para alargar as vistas e arejar os greens.
Sendo um circuito curto, requer concentração e domínio do princípio ao fim. Premeia a precisão nas saídas e exige arte e sorte no ataque aos greens, bem como redobrada leituras e tacto nos putts.
José Sousa e Mello, o mais titulado dos amadores portugueses, actual campeão nacional de seniores, contribuiu para a vitória da empresa Force na primeira Final Nacional do Expresso BPI Golf Cup disputada na Terceira, em 2006. Diz que o campo é "jogável" para qualquer nível de praticante, mas que os semi-roughs são "difíceis de jogar" e os fairways "diminutos em termos de largura." "É um campo que parece mais fácil do que é na realidade", considera Sousa Mello, acrescentando: "Os greens tornam-se num autêntico quebra-cabeças. Atenção aos dos buracos 6, 7 e 18."
Alexandre Barroso mudou-se do Porto para a Terceira no início de 2008, para assumir o cargo de director do clube. Grande referência das equipas do Oporto Golf Club, ele dá umas dicas para bem jogar o percurso: "Não é um campo comprido, mesmo que ainda vá esticar, no futuro, até aos 6100 metros das brancas. A maior dificuldade são os greens, muito ondulados. Nos shots de aproximação, convém ficar curto da bandeira, passar é o pior que acontecer, nomeadamente no 1, 2, 6 e 13. Depois, eu aconselharia a ter cuidado nas saídas em alguns buracos, onde o espaço entre árvores que ladeiam os fairways não é superior a 50 metros; se a bola entra, é muito complicado."
Nuno Campino é o detentor do recorde do campo, com 62 pancadas durante a edição de 2005 do Pro-Am da Ilha Terceira. E considera os shots aos green fundamentais. O caderno Golfe perguntou-lhe: "É preciso jogar de loucura para fazer 10 abaixo do par?" Resposta: "Não. É preciso enfiar os putts. Só meia-loucura."
Os vencedores do Campeonato Nacional de Empresas: