Final Nacional 2015
Emoção na Terceira

A beleza do campo de golfe da Terceira, nos Açores, esconde um teste de respeito. The Glenlivet, Visioarq e Freixenet foram as equipas que melhor o superaram nas duas voltas da Final Nacional Açores 2015

Por Rodrigo Cordoeiro e Filipe Guerra (fotografias)

O campo do Clube de Golfe da Ilha Terceira revelou-se um osso duro de roer para as 21 equipas presentes na Final Nacional Açores 2015 do Expresso BPI Golf Cup, apuradas ao longo de vários meses nas oito regiões que a prova visita. Destas, apenas três apresentaram resultados abaixo do par net, no cômputo das duas voltas na modalidade de texas scramble modificado em medal (por pancadas). Foram elas que se qualificaram para a Finalíssima, a realizar a 21 e 22 de Novembro no Vidago Palace Golf Course. Por esta ordem, The Glenlivet, Visioarq e Freixenet.

Foram três dias intensos de golfe, porque antes da competição em si houve um dia de treino, para os 84 jogadores poderem fazer uma volta de reconhecimento e se ambientarem. Na primeira jornada oficial, estava um frio inusitado, muito vento e alguma chuva, a espaços com algumas boas abertas. Houve que lidar com os elementos naturais. Na segunda sessão esteve um glorioso dia de sol, mas o campo estava mais puxado atrás e as posições das bandeiras mais exigentes, o que fez com que os resultados fossem piores em relação à véspera.

The Glenlivet, Visioarq e Freixenet ocupavam os lugares do pódio a abrir e fizeram um excelente trabalho em manter as suas posições no fecho. Ou seja, nada mexeu de um dia para o outro na classificação no que diz respeito aos três primeiros. The Glenlivet, que se apurou na região Douro, e irá assim jogar a Finalíssima em casa, foi mesmo a melhor em ambas as jornadas e acabaria por vencer de forma destacada com um total de 273 pancadas, 15 abaixo do par 72, agregado que representa a soma dos scores dos dois pares. Deixou a Visioarq (apurada na região Norte) a 12 shots de distância e a Freixenet (qualificada em Lisboa) a 13.

“Acho que a nossa grande vantagem foi termos tido dois caddies locais [um para cada par da equipa] que nos ajudaram imenso”, considerou o capitão do quarteto campeão Luís Coelho da Silva, que formou parelha com José Santos Lima – do outro lado estava a dupla José Rolim/Vítor Hugo Silva. “Os greens são muito traiçoeiros neste campo, há zonas em que parece que cai só um bocadinho mas cai muito, e quem não conhece tem imensa dificuldade. Já nos tinham dito que aí era preciso ter algum cuidado e eles, definitivamente, ajudaram-nos imenso, fizeram-nos ganhar algumas pancadas”, acrescenta.

No fim da primeira volta, a The Glenlivet liderava com 136 pancadas (-8) e com quatro à melhor sobre a Visioarq e Freixenet, ambas com 140. Nesse dia inaugural só mais as duas equipas do BPI em prova (uma oriunda dos Açores, outra do Alentejo) conseguiram jogar abaixo do par. Mas houve mais três equipas que igualaram o par com 144 – Mundotêxtil (Norte), Bensaude Hotels (Açores) e Mercedes-Benz Mercauto (Lisboa). “Se no primeiro dia tivemos sempre pelo menos um jogador a atacar, a nossa estratégia para o segundo dia foi a de jogar sempre para o meio do green, esquecendo as bandeiras”, acrescenta Luís Coelho da Silva. Resultou, porque depois do 136 veio um 137, numa ronda em que a The Glenlivet foi a única apresentar um agregado abaixo do par. 

A Visioarq, mesmo tendo piorado cinco pancadas (140-145), ficou com a prata da Final. “Depois de estarmos em segundo lugar no primeiro dia, queríamos atacar o primeiro lugar,”, confessa Vicente Gouveia, o capitão da Visioarq. “Mas era muito difícil, eles estavam a quatro pancadas. De qualquer maneira, acreditámos sempre e tentámos de alguma forma pelo menos não comprometer o nosso jogo, jogar dentro do nosso handicap e mantermos o segundo lugar, de maneira a sermos apurados para a Finalíssima.” 

Além de Vicente Gouveia, a equipa da Visioarq era composta por Nuno Poiarez, Fernando Pimentel e José Bessa Gomes. “O grande objectivo era ganhar, mas o segundo objectivo, esse, foi cumprido”, realça Gouveia, que, confirmando as palavras do capitão da The Glenlivet, desabafaria: “Basicamente, onde estivemos sempre mal foi nos greens, nunca conseguimos estar confortáveis nos greens, não porque estivessem maus, mas porque estavam um pouco lentos para o tipo de jogo que gostamos nos greens. Fizemos muitos greens a três putts. Mas só temos de estar satisfeitos por termos ultrapassado estas adversidades e jogado melhor que as outras equipas.”

Uma “proeza histórica” foi como Duarte Sousa Coutinho, capitão da Freixenet, chamou ironicamente ao 10 que marcou juntamente com o seu parceiro Diogo Mexia no 17.º e penúltimo buraco da jornada decisiva, um quíntuplo bogey visto que se trata de um par 5. “Sentimos que tínhamos perdido ali as hipóteses de chegar à Finalíssima”, conta Sousa Coutinho, acrescentando: “A meio do 17 o meu parceiro e eu já não falávamos um com o outro, não porque estivéssemos chateados, mas porque as coisas não nos saíam. Fomos para o 18 já com a cabeça feita em água, mas aí fizemos o par [n.r.: Um dos raros pares a que assistimos no 18], o que é de louvar depois do que nos aconteceu.”

A passagem da Freixenet, com um total de 286 (140-146) à Finalíssima foi também uma vitória do clube Tigres do Bosque, a que pertencem os quatro jogadores – Tomás Moreno e João Pedro Andrade completavam o quarteto. “As expectativas foram claramente superadas”, reconhece Sousa Coutinho, director comercial da Vinicom, que distribui a Freixenet em Portugal. “Já nos daríamos por satisfeitos se ficássemos no top 5, mas já que ficámos no top 3, agora o céu é o limite, tudo pode acontecer. Acho que foi um marco importante para a Freixenet, que está pela primeira vez na Finalíssima, e para o nosso clube.”

Para o BPI Açores, uma das melhores equipas de sempre no historial da prova, com vitórias nas edições de 2008 e 2009, fica o trago amargo de ter sido quarto classificado pelo segundo ano consecutivo. Em 2014, tinha perdido o acesso à Finalíssima num play-off frente à madeirense Prazer do Mar, desta vez ficou a três pancadas de obter tal desiderato. “Não vou esconder que gostaríamos de ter tido outra classificação, mas, no fim da linha, ficámos em quarto em 21 equipas, também não foi uma tragédia, o golfe é mesmo assim, umas vezes ganha-se, outras não”, afirmou Gonçalo Xavier.

O BPI Açores totalizou 289 pancadas, tantas como Bensaude Hotels e BPI (Alentejo), que no desempate pelo mais baixo handicap acabaram na quinta e sexta posições, respectivamente. Para esta última equipa do BPI houve drama a fechar o torneio, porque no 17 a dupla Diogo Louro/Gonçalo Valente falhou um putt de 50 centímetros e no 18 –cujo green tem um enorme declive – acabaram com quádruplo bogey. O que viria a revelar-se fatal nas suas aspirações. “Quem joga golfe arrisca-se a viver momentos destes”, disse o capitão do BPI, Diogo Louro.

Em 2014, Allianz (Douro) e Prazer do Mar (Madeira) marcaram presença na Final Nacional e conseguiram chegar à Finalíssima, que seria ganha pela Mercedes-Benz AVM dos Açores. Voltaram a marcar presença este ano na Final Nacional mas o desfecho foi diferente, com Prazer do Mar a acabar em décimo e a Allianz a ser desclassificada juntamente com a Resiquímica, por dois dos pares terem jogado o buraco 13 da segunda volta, por engano, do tee das senhoras – nesse dia o tee dos homens estava puxado muito para trás, ao contrário da véspera, o que terá ajudado no engano dos jogadores. Mas, diga-se, que foram os próprios a levar o caso à Comissão de Campeonato depois de se aperceberem do erro no final da volta. A Vilda (Centro), a jogar a sua quinta final nos últimos seis anos, foi 11.ª, longe da sua melhor marca, que foi o 4.º posto a uma pancada de se qualificar. Destaque ainda, no segundo dia, para as 144 pancadas – segunda melhor marca a fechar – da Coldtech (Centro) e do Expresso (Algarve), mas para estas já era tarde para recuperar do prejuízo da véspera.