Entrevista
Mercedes Balsemão

Mercedes Balsemão, Presidente da SIC Esperança, faz o balanço do compromisso social do Expresso BPI Golf Cup.

Por Rodrigo Cordoeiro e Filipe Guerra (fotografias) 

Qual foi a instituição apoiada pela verba solidária do Expresso BPI Golf Cup em 2015?
Foi o Banco do Bebé – Associação de Ajuda ao Recém-Nascido, que actua junto da Maternidade Alfredo da Costa, Hospital de Santa Maria, Hospital Beatriz Ângelo e Centro Social e Paroquial do Campo Grande, em Lisboa. Trata-se de uma uma Instituição Particular de Solidariedade Social (IPSS), fundada em 1996 por Marina Arnoso – actual presidente da direcção –, Luísa Lancastre, Ingrid Poppe, Efigénia de Brito e Maria Sarsfield Cabral, que exerciam desde 1991 voluntariado na Maternidade Alfredo da Costa. Durante o tempo do seu voluntariado aperceberam-se dos problemas económicos, sociais e de desenvolvimento que as crianças das famílias utentes da Maternidade enfrentavam no seu dia-a-dia e decidiram, por isso, criar uma instituição que permitisse apoiar de forma sistemática estas famílias.

E qual é o projecto em concreto?
Chama-se “Workshops para Pais e Cuidadores”, no âmbito da capacitação parental e familiar. Pretende-se realizar acções de formação ou esclarecimento, práticas (formato workshop), dirigidas a agregados familiares de contextos sociais vulneráveis, com bebés e crianças entre os 0 e os 6 anos, incidindo em quatro temas transversais à família: Saúde do Bebé e da Criança, Competências Parentais – interacção pais-bebé, Nutrição e Gestão de Recursos Familiares.

Tem alguma estimativa do número de agregados familiares a atingir com a verba solidária do Expresso BPI Golf Cup?
Cerca de 120 agregados familiares. Devo sublinhar que esta capacitação da família é muito importante. Não basta fornecer recursos materiais, se não houver uma continuação, se a intervenção não for sustentada. As experiências dos primeiros anos de vida reflectem-se na aprendizagem, comportamento e saúde na vida adulta. O objectivo é, portanto, intervir precocemente na promoção da saúde, no fortalecimento das competências parentais e na estimulação do desenvolvimento psicomotor do bebé e da criança. Para isso, há que dotar os pais e cuidadores das ferramentas que precisam para serem autónomos nos cuidados ao bebé.

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“Quanto a mim é o torneio mais profissional dos torneios amadores. É um torneio que agarra os golfistas”, Mercedes Balsemão

Como se vão desenrolar os ditos “Workshops para Pais e Cuidadores?
As quatro temáticas têm concepção, planeamento, organização e implementação por parte de uma equipa abrangente. Na Saúde do Bebé e Criança, a responsabilidade é de dois enfermeiros voluntários. Para as Competências Parentais, que trata da vinculação mãe-bebé, haverá um psicólogo e um fisioterapeuta, ambos contratados pela Associação; na Nutrição, um nutricionista e um nutricionista estagiário, ambos voluntários; e na Gestão de Recursos Familiares, uma assistente social contratada pela Associação, um economista e uma costureira. Estas quatros área serão trabalhadas em seis diferentes workshops: “A Saúde do Bebé”, “Massagem ao Bebé”, “Era uma vez”, “Somos o que comemos”, “O meu orçamento pode ser elástico” e “Aprenda a fazer em casa”. Cada workshop será dividido em duas sessões, dirigidas a 10 agregados diferentes, num total de 12 sessões.

Em 2014, a verba solidária do Expresso BPI Golf Cup foi para um projecto da Liga Portuguesa Contra o Cancro, chamado Família-On-Line, cujo objectivo era criar um sistema de vídeo-conferência que permitisse o contacto dos doentes oncológicos nos hospitais com os seus familiares e amigos. Correspondeu às expectativas?
Foi, sem dúvida, positivo. Pode ser aferido pelo número de  contactos dos doentes com as respectivas famílias e amigos. Esse contacto aproxima e personaliza o doente internado do mundo que lhe é querido, o que, de certa forma, atenua o seu sofrimento  psicológico e a ansiedade dos familiares que não podem acarretar com as despesas e a morosidade das deslocações. Graças ao impulso dado pelo Expresso BPI Golf Cup foram adquiridas os tablets que permitiram essa proximidade. E graças ao trabalho da Liga, o projeto abarca todo o país.

Que balanço faz da parceria da SIC Esperança com o Expresso BPI Golf Cup?
É uma parceria que vai no oitavo ano,  que prezamos muito e que tem apoiado muitas instituições e melhorado a qualidade de vida de muitas pessoas. Implementámos projectos que, pode dizer-se, abarcam todas as áreas sociais desde a terceira idade, educação, economia social, capacitação, infância. E procurámos descentralizar sob o ponto de vista geográfico, de maneira a chegar às instituições que têm menor visibilidade e maior dificuldade em encontrar financiamento. Desde Viana do Castelo, a Angra do Heroísmo, passando pela Madeira, o que demonstra a preocupação em cobrir o território nacional, para além das grandes cidades onde, obviamente, há mais instituições e projectos sociais.

Em 2015 o Expresso BPI Golf Cup fez 18 anos…
Atingiu a maioridade…. Quanto a mim é o torneio mais profissional dos torneios amadores. Os jogadores levam-no a sério, preparam-se, treinam, ambicionam passar as sucessivas eliminatórias. É um torneio que agarra os golfistas. A juntar a uma organização irrepreensível, o formato do texas scramble modificado, um formato inventado para este torneio, incute uma enorme responsabilidade a cada um dos elementos da equipe de cuja prestação depende o bom resultado. É muito desafiante. A prová-lo está o número crescente de jogadores ao longo destes 18 anos.